DEBRET: LEITURA DE IMAGEM

Texto de Noemi Bretas.

Barbeiros ambulantes

Debret: Barbeiros ambulantes

A obra acima é de autoria do artista J.B. Debret, feita no século XIX. A produção deste artista, em grande parte, foi dedicada em retratar o cotidiano da cidade do Rio de Janeiro e cenas urbanas dessa época. Vários de seus retratos são rotinas relacionadas ao trabalho escravo.

Dados técnicos da obra:

A obra que escolhi para ser analisada é “Barbeiros Ambulantes” do ano 1826. Essa pintura tem as seguintes dimensões: 18,7 cm x 23 cm. A técnica usada é aquarela sobre papel.

Leitura de imagem

A cena da referida obra ocorre no Largo do Palácio, perto do mercado de peixe no Rio de Janeiro. Ao fundo é possível ver várias embarcações atracadas no cais, e também é possível ver pessoas transitando e trabalhando. Em primeiro plano temos quatro escravos, os dois em pé são escravos de ganho (escravos que realizavam tarefas remuneradas a terceiros, e repassava parte da quantia recebida para o seu senhor). Eles usam chapéu de palha que são do tempo do império, imitando o estilo militar da época. O barbeiro do lado direto da foto tem o chapéu com as cores verdes e amarelo fazendo menção ao império brasileiro e também uma pena que substitui o penacho do uniforme militar.
O barbeiro, do lado esquerdo da cena, usa um pedaço de sabão e uma bacia para barbear o seu cliente. No chão temos um pano vermelho embrulhando uma tesoura e duas navalhas. E atrás do barbeiro da direita tem uma bacia no chão. Os Escravos sentados parecem pertencer a uma classe diferente dos que estão em pé. Talvez sejam escravos alforriados por conta das suas vestimentas e os adornos que compõe seu traje.

Debret: barbeiros ambulantes

Debret: barbeiros ambulantes – Imagem 2

No século XIX J.B. Debret retrata o trabalho dos barbeiros em algumas de suas pinturas. Esse oficio veio com os Jesuítas no século XVI para o Brasil, mas durante o começo do império esse trabalho era feito por escravos de ganho, escravos libertados e homens pobres. Em sua passagem pelo Brasil Debret retratou algumas situações envolvendo o oficio do barbeiro. Uma obra que eu escolhi para retratar foi a cena de dois escravos trabalhando na rua. Um deles aparando a barba e o outro cortando cabelo, ambos estavam prestando o seu serviço para outros escravos. De uma forma bem humilde nota-se pela vestimenta que eles usavam instrumentos bastante simples de trabalho. É possível perceber navalha e tesoura envolvidos em um tecido. As vestimentas simples e surradas indicam que os barbeiros são de donos menos abastados, por que escravo bem vestido são de donos ricos.
A cena de Debret em “Os barbeiros ambulantes” era bem comum naquela época e por isso o artista tem outros registros de barbeiros em sua passagem pelo Brasil.
Escolhi uma outra obra de Debret para fazer contraponto a “Os barbeiros ambulantes”. A obra escolhida foi Boutique de Barbier. A cena da obra não se passa na rua mas sim em uma loja. Dois escravos alforriados abriram uma loja onde oferecem serviços. Na fachada da loja é possível perceber a oferta de trabalhos relacionados a barbearia, cabelereiro, dentistas e sangrador.
Ao lado vemos uma senhora na janela com seu leque olhando o tabuleiro de doces de uma escrava. Na calçada fica um cachorro aguardando como se estivesse esperando um doce.
Ambas as imagens retratam a vida urbana do Rio de Janeiro do século XIX. O trabalho dos negros em diferentes contextos e variados ofícios são retratados por Debret.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *